segunda-feira, 24 de junho de 2013

CRIANÇAS - QUE NÃO VÃO AO PEDIATRA

Crianças que não vão ao pediatra com frequência têm duas vezes mais chances de serem hospitalizadas
 

Entenda porque é importante escolher um médico para acompanhar o seu filho desde o nascimento até o início da adolescência.

 
Quando seu filho fica doente você o leva ao pediatra ou ao PS? Se você faz parte do grupo que vai na 2ª opção, saiba que está dentro de uma tendência de substituição do pediatra de consultório pelo atendimento hospitalar. Essa troca pode apresentar riscos para o seu filho, de acordo com uma pesquisa realizada nos Estados Unidos.
 
Depois de analisar mais de 20 mil crianças, os especialistas descobriram que aquelas que não comparecem à quantidade recomendada pela Academia Americana de Pediatra até os 3 anos de idade correm duas vezes mais risco de serem hospitalizadas. As chances duplicam em caso de doenças crônicas, como asma e problemas do coração. Isso porque essas famílias que perdem as consultas, perdem também a oportunidade de intervenção preventiva e detecção precoce de problemas.
 
Para o pediatra Donizette Giamberardino, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), os dados estrangeiros refletem também um comportamento brasileiro. “Atualmente, o pessoal, por desconhecimento e falta de tempo, só leva o filho ao pediatra quando ele está doente. Aí, por mais que a consulta seja bem feita, o médico não consegue conhecer a criança e a família direito, o atendimento fica mais imediato”.
 
O especialista explica que a função do pediatra, além de tratar da doença, é principalmente acompanhar o crescimento e do desenvolvimento da criança, a chamada puericultura. Para isso, o ideal é que as consultas sejam mais demoradas e que também sirvam para os pais tirarem dúvidas, trocar informações sobre a educação da criança, orientar sobre a alimentação, sono e fazer a prevenção de doenças e acidentes.
 
Quando levar ao pediatra?
O contato com o médico deve começar antes mesmo de a criança nascer, como explica o pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Paulo Poggiali: “Uma consulta pré-natal com o pediatra é importante para o êxito dos primeiros momentos da relação entre filho e pais. Ele pode dar dicas para a sala de parto e para a permanência do bebê na maternidade”.
 
Quando o bebê já estiver em casa, as avaliações do especialista serão voltadas para o acompanhamento de ganho de peso, amamentação, presença de icterícia, coto umbilical, evacuações, testes do pezinho e da audição e estabelecimento do calendário de vacinação. A SBP tem recomendações específicas sobre o número de consultas para cada faixa etária da criança. Veja na tabela a seguir:
 
Idade da criançaquantidade de consultas
5 dias1
15 dias1
30 dias1
2 aos 6 meses1 vez por mês
8 meses1
10 meses1
12 meses1
De 1 a 2 anos1 vez por trimestre
Dos 2 aos 6 anos1 vez por semestre
Dos 6 aos 18 anos1 vez por ano
Tudo isso?
 
  
Sim! Calma, nós sabemos que a correria pode deixar as famílias sem alternativas. Aí o pediatra é só lembrado mesmo quando chega aquela gripe ou quando a criança não está conseguindo comer ou dormir direito. Mas, como já foi dito anteriormente, são as consultas de puericultura que vão garantir que seu filho se desenvolva da melhor forma possível.
 
Se você anda meio sem tempo, a dica do especialista é a boa e velha conhecida organização. “Já nos primeiros contatos com o pediatra, peça orientação sobre a programação de consultas e não se esqueça de anotar tudo”. E nessas horas vale de tudo: comprar uma agenda, colocar lembrete no celular, pedir para a avó ajudar a lembrar, usar o calendário do e-mail....
 
Consulta sob medida
Como você pode perceber, do nascimento do seu filho até o início da adolescência, você vai conviver muito com o pediatra. Por isso, é importante que você escolha bem antes de levar a criança, não adianta só pesquisar no catálogo, é preciso sentar e conversar bastante com o médico, afinal, existem os gentis, os autoritários, os bem-humorados.
 
“No atendimento médico, o principal é a confiança. Existem vários tipos de pediatra por aí, por isso, o ideal é que a família ache um de acordo com seu perfil. Se você odeia dar remédios, por exemplo, procure um especialista que trabalhe mais com maneiras alternativas. Se não pode ver uma febre que fica ansiosa, o ideal é um pediatra que receite medicamentos. O importante é que a relação interpessoal seja boa”, aconselha Giamberardino. Não se esqueça, quanto mais cedo os cuidados com o seu filho, mais qualidade de vida ele terá no futuro.
 
Fonte: Donizette Giamberardino, pediatra do Hospital Pequeno Príncipe (PR) e Dr. Paulo Poggiali, pediatra e vicepresidente da ABP.
 

 

BEBÊ - AS 4 CRISES DO CRESCIMENTO

Primeiro trimestre: período simbiótico
 
Como começa a crise do primeiro trimestre?
A chegada aos 3 meses é um momento tão marcante que alguns autores falam de dois nascimentos: o biológico, que é o dia do parto, e o psicológico, que acontece quando o bebê completa 3 meses. Esse primeiro trimestre de vida é o que se chama de período simbiótico. “Para a criança, mãe e filho significam uma única palavra ‘mãe/filho’. É assim que ela entende: como se fossem uma única pessoa”, diz, brincando, Leonardo Posternak, pediatra de São Paulo.
 
A partir dos 3 meses, o bebê passa a olhar no olho da mãe, começa a se divertir, imita alguns gestos. Ele começa a sentir que a mãe não é só um bico de peito e, assim, começa a construir a imagem do outro. “ É nesse período que a criança percebe que não está enroscado no tronco da árvore – que é a mãe. Ele está perto da árvore. Entende que precisa chamá-la para ter o que necessita – leite, colo ou fraldas limpas. Nessa hora, bate a ansiedade. É como se ela pensasse: ‘E agora? E se eu chamar e ninguém escutar? E se esse outro vai embora, o que eu faço?’ É aí que começa a crise”, explica Posternak.
 
Como saber se o filho está passando por uma crise?
A melhor maneira é ouvir o pediatra. “Algumas mães chegam ao consultório reclamando que há três dias o filho estava ótimo e, de repente, não quer mais mamar e tenta se afastar quando elas dão o peito. Outras reclamam que o bebê estava dormindo bem, mas, depois dos 3 meses, isso mudou. Ele acorda várias vezes chorando”, diz Leonardo Posternak, pediatra de São Paulo. “Há ainda as mães que reclamam que o bebê fica agitado sem motivo. Não quer ficar no colo, no berço, no bebê-conforto. Parece não estar confortável com nada que é oferecido”, continua. As queixas normalmente são parecidas e o seu pediatra saberá dizer se o bebê está com algum problema de saúde ou atravessando uma crise.
 
Quanto tempo dura a “crise do fim do período simbiótico”?
Essa crise dura em torno de 15 dias.
 
Nesse período, os bebês precisam ser medicados?
Não. Quando a criança atravessa uma crise, é muito importante que ela não seja medicada. “As mães sempre chegam ao consultório achando que a razão do desconforto tem algum aspecto orgânico: cólica, falta de leite, dente nascendo. Então explico que se trata de uma crise, um momento excelente para o crescimento”, ensina Leonardo Posternak, pediatra de São Paulo.
 
O que os pais devem fazer durante a crise?
Eles devem ficar calmos e entender que esse período vai passar. “Conhecendo os sintomas, os pais precisam dominar a ansiedade para que a criança não tenha que atravessar esse momento complicado num ambiente angustiante. Lembre-se de que o seu bebê precisa passar por essa crise para poder crescer”, explica o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Entre 5 e 6 meses: formação do triângulo familiar
 
Como começa a crise da formação do triângulo familiar?
Por mais que o pai tenha sido presente e ativo desde o nascimento do bebê, ele não teve uma relação tão simbiótica com o filho. Isso se dá por inúmeros motivos. Até mesmo porque ele não dispõe dos meses de licença-maternidade para ajudar nessa proximidade. Então, por volta do sexto mês de vida, o bebê, que já conhece a mãe, começa a reconhecer a figura do pai, dando início à formação do triângulo – e da crise.
 
Que sintomas a criança apresenta nessa crise?
“A criança tem um pouquinho de transtorno do sono, e o apetite diminui um pouco”, diz o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo. Mas essa crise costuma afetar mais as mães do que os bebês. “Nessa fase, a mãe se dá conta de que, para o filho ser saudável e feliz, ele precisa ter uma relação triangular e não uma relação de cordão umbilical com ela. Afinal, ninguém quer que o filho seja dependente a vida toda. É necessário que alguém corte essa simbiose. E esse é o papel do pai”, explica Posternak.
 
Com 6 meses, nascem os primeiros dentinhos. Essa etapa se confunde com a crise?
“Sim. Às vezes, isso acontece. As duas fases se confundem porque a dentição incomoda, dói e torna a criança aparentemente mais agressiva”, explica o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Oito meses: separação ou angústia
 
Essa crise acontece sempre no oitavo mês?
Não exatamente. Essa é a crise do terceiro trimestre. “Embora seja incomum, algumas crianças começam a dar sinais da crise com 6 ou 7 meses. Outras mostram sintomas de angústia com 9 meses. Mas na maioria dos casos isso acontece mesmo no oitavo mês”, explica o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Por que os pediatras dizem que essa é a crise mais significativa de todas?
“Porque essa é a que dura mais tempo e o transtorno do sono é muito acentuado: a criança pode chegar a acordar 15 vezes durante a noite, desperta muito assustada, com um choro intenso. Alguns pais ficam tão assustados que pensam que a criança caiu do berço porque é um choro diferente, desesperado”, esclarece o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Quanto tempo dura a crise da angústia?
Demora um pouco mais que as outras: três ou quatro semanas.
 
Os pais devem levar a criança para dormir na cama deles?
O ideal é que o bebê durma no seu berço ou carrinho desde os primeiros dias de vida. “Dormir na mesma cama se dá mais por ansiedade dos pais do que por necessidade dos bebês. E os pais não dormem tranquilamente, pois ficam com medo de sufocar o bebê. Sem contar que isso pode ocasionar um afastamento na vida conjugal”, explica Ana Paula Cargnelutti Venturini, mestre em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Além disso, segundo Ana Paula, a prática pode levar a criança a ficar muito dependente dos pais, buscando uma atenção cada vez maior.
 
Nessa fase, quando a criança chora de madrugada, é a mãe quem deve atender?
De preferência, sim. O pediatra Leonardo Posternak explica a razão: “Na fantasia do bebê, ele acha que, quando a mãe apaga a luz e fecha a porta, não volta nunca mais. Então, se ele chora durante a noite e é atendido pelo pai ou pela babá, acredita que a mãe não voltará mesmo”. A criança precisa passar por isso para ir entendendo que a presença da mãe pode ser seguida de ausências. “Nessa fase, é oportuno que não ocorram trocas dos cuidadores. Além de acordar assustado, o bebê pode reagir à presença de estranhos, chorando ou estranhando o colo”, reforça Ana Paula Cargnelutti Venturini, mestre em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “A mãe deve tentar acalmá-lo no próprio berço para não alterar substancialmente sua rotina”, ela sugere.
 
Quais os sintomas da crise da angústia?
Basicamente os mesmos das outras crises: alteração do sono, perda de apetite e agitação. “O sono é o que mais perturba. Além disso, a criança come muito mal, pior do que nas outras fases. E às vezes faz até pequenas greves de fome”, comenta o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Qual a importância do objeto de transição nessa fase?
Nesse período de angústia, a criança começa a se apegar a algum objeto: pode ser um paninho, uma chupeta específica, um brinquedo. “Esse objeto representa a mãe, e é bom que ela brinque com o ursinho, por exemplo, que dê beijo, que deixe nele o seu cheiro. Isso vai ajudá-la a entender que à noite as coisas não desaparecem. A mãe pode sumir, mas o objeto continua ali e vai estar com ele quando acordar. Isso ajuda a criança a entender que esse afastamento não é uma perda”, ensina o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Como ajudar a criança a escolher o objeto de transição?
Os pais não precisam se preocupar em estimular a escolha, que é feita naturalmente pelo bebê. “É importante que o objeto resista às agressões da criança e que ela mesma o reconstrua. A mãe não deve lavá-lo nem tentar consertá-lo”, explica Ana Paula Cargnelutti Venturini, mestre em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
1 ano: ambivalência/dependência/independência
 
Como é a crise do primeiro ano?
Esse período coincide com o andar: a criança quer caminhar, quer ser independente, mas ainda precisa de colo. “Ela já se sente capaz de explorar o ambiente, já abre gavetas, tira todas as roupas de dentro, mas ainda não vai muito longe da mãe. A crise se dá por essa vontade de ser independente e a necessidade de ser, ainda, dependente.”
 
Quais são os sintomas dessa crise?
“As mães chegam ao consultório reclamando que a criança começou a acordar à noite, a não comer e a ficar muito agitada durante o dia”, diagnostica o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Os pais devem estimular a criança a caminhar?
Estimular, sim, mas jamais forçar. “O cérebro e as pernas ainda não estão combinados. Ela quer, porém não consegue, e isso gera angústia. A criança deve caminhar quando ela achar que pode”, alerta o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
 
Como as mães devem lidar com as crises?
“Não existe uma receita ideal. Como todo relacionamento, é preciso adaptação, tranquilidade e equilíbrio, além de um ambiente saudável e acolhedor. Essas fases podem ser difíceis, mas são extraordinárias e marcantes”, finaliza Betina Lahterman, pediatra da Universidade Federal de São Paulo.
 
Fontes: Dr. Leonardo Posternak - pediatra,  Dra. Betina Lathterman - pediatra e Dra. Ana Paula Cargnelutti Venturini - psicóloga

PSICÓLOGO, QUANDO PROCURAR AJUDA

Porque a saúde não se refere apenas à saúde física, mas também psicológica, e saber quando procurar a ajuda do psicólogo.
 
É indiscutível que a saúde física e a saúde psicológica “andam de mãos dadas”, surgindo cada vez mais reconhecida a importância do bem-estar psicológico para a saúde plena. De acordo com isto, a Organização Mundial da Saúde define saúde como “não simplesmente a ausência de doença”, mas “um estado de completo bem-estar físico, psicológico e social”. Contudo, estamos ainda longe de atribuir à saúde psicológica a mesma importância que atribuímos à saúde física. O resultado disto é o crescente aumento das perturbações psicológicas que temos vindo a assistir, com uma minoria dos casos recorrendo à intervenção. Em 2008, cerca de 1 em cada 5 portugueses já tinha experienciado uma perturbação mental/psicológica. Estima-se que, atualmente, este número seja superior.
 
Então, porque é ainda tão difícil para aqueles que sofrem com problemas psicológicos procurar o psicólogo? Existem muitas respostas possíveis para esta questão. Apesar da crescente importância e utilidade que vêm sendo atribuídas à Psicologia, ainda existe o preconceito de que o psicólogo “é para os malucos” ou a ideia de ser “um luxo só para alguns…”. Estes e outros preconceitos levam ainda muitas pessoas a desistir de procurar ajuda psicológica.
 
O Papel do Psicólogo Clínico
 
O psicólogo clínico é um profissional formado em Psicologia, treinado para usar modelos e métodos psicológicos (testados cientificamente) com o objetivo de ajudar a pessoa a lidar com problemas psicológicos ou dificuldades diversas, resolver problemas da vida, adquirir autoconhecimento, entre outros.
 
O papel do psicólogo é o de facilitar a autorreflexão e o desenvolvimento pessoal. O seu papel não é o de dar soluções ou respostas “mágicas”, mas o de orientar a pessoa na resolução das suas dificuldades e auxiliá-la a encontrar as suas respostas.
 
A Psicologia Clínica não trata problemas psicológicos, mas pessoas com problemas psicológicos. Isto porque não há uma “prescrição” ou um “tratamento” que se aplica de igual forma para todas as pessoas que manifestam um mesmo problema. Por exemplo, a depressão pode manifestar-se de forma diferente e ter causas muito distintas em pessoas diferentes. Como tal, o psicólogo começa por fazer uma avaliação psicológica para poder, depois, desenvolver uma intervenção personalizada e planeada especificamente para cada pessoa. Por isso, não existem “soluções” mágicas ou rápidas. O foco não está na obtenção de resultados rápidos, mas no desenvolvimento de processos pessoais (de acordo com o ritmo da pessoa); processos esses que vão tornar possível enriquecer o repertório de estratégias emocionais, motivacionais, cognitivas e comportamentais da pessoa, que se mantêm a longo prazo, promovendo a sua autossuficiência e autonomização.
 
O que deve esperar do psicólogo? As características que devem definir a atitude do psicólogo devem ser a escuta ativa (deve sentir-se ouvido), a compreensão genuína (sentir-se compreendido) e a aceitação incondicional (sentir-se aceite, independentemente dos seus problemas, comportamentos ou personalidade). Se não reconhecer alguma destas características no psicólogo ou se não ficar satisfeito com o atendimento, não hesite em procurar outro.
 
Fonte: Dra. Cláudia Madeira Pereira, Psicóloga Clínica e Pediátrica

DEPRESSÃO COMO IDENTIFICAR E LIDAR

Depressão: como identificar e lidar
Especialistas em transtornos emocionais são contundentes: depressão é doença e precisa ser tratada adequadamente.  Saiba que a maior parte as serotonina é sintetizada fora do cérebro, inclusive no intestino, a partir do triptofano. Portanto, a ingestão de sementes, castanhas, tofu, bananas podem ajudar  a combater a depressão.
 
O QUE É
A depressão é uma doença. Diferente da tristeza ou melancolia, sentimentos que, em geral, são decorrentes de um estímulo externo (notícia, fato ocorrido) ou interno (lembrança do passado) e são de curta duração, a depressão faz parte dos transtornos do humor, também conhecidos como doenças afetivas. Isso significa que aproximadamente 30 milhões de pessoas podem ter uma crise depressiva pelo menos uma vez na vida, mas são poucas as que buscam tratamento adequado, principalmente por falta de informação.
 
 
A QUEM ATINGE?
Pessoas de ambos os sexos podem apresentar depressão. As mulheres são mais vulneráveis, na proporção de duas para cada homem. A faixa etária em que comumente aparecem os sintomas da depressão é a do adulto, na faixa de 25 a 30 anos. Porém, crianças e adolescentes, assim como os idosos, também podem ser acometidos.
 
CAUSAS
Não existem causas bem definidas da depressão. Acredita-se que as crises acontecem devido a soma de múltiplos fatores, que podem variar de pessoa para pessoa, de acordo com uma tendência maior ou menor para a doença, provavelmente definida por características herdadas geneticamente. Ou seja, pessoas com forte tendência hereditária para depressão podem ter uma crise após uma situação estressante (ficar desempregado, por exemplo. Várias pessoas podem ficar desempregadas, mas apenas as que têm maior tendência para depressão acabam deprimidas). O risco de que ambos os pais com depressão possam ter um filho com a mesma doença é de 75%.
 
Situações estressantes, em geral, estão associadas com o desencadeamento das crises depressivas, principalmente nas primeiras crises, mas existe uma tendência para que as crises sejam desencadeadas por situações cada vez menos estressantes, até ficarem automáticas, ou seja, surgirem sem nenhuma razão. Outros fatores que podem desencadear crises de depressão são noites sem dormir, a chegada do inverno (tempo nublado, temperatura baixa) ou presença de doenças crônicas como diabetes ou câncer, neurológicas (Parkinson ou Alzheimer) ou dolorosas como artrite. Alguns medicamentos utilizados em outras áreas da Medicina podem ter efeitos depressivos.
 
Também as condições psicológicas construídas no período de crescimento da criança ou adolescente, pelo ambiente familiar e pela escola, podem contribuir para a definição de pessoas com autoestima baixa. Estas crianças e adolescentes podem passar a não acreditar nas suas possibilidades, serem pessimistas, sentirem-se fragilizadas e incapazes, sem autonomia, tornando-se adultos propensos às doenças afetivas de um modo geral, inclusive a depressão.
 
SINTOMAS
A depressão pode se manifestar de várias maneiras. Os sintomas e sinais podem variar muito de pessoa para pessoa, mas algumas características são observadas com maior frequência. As principais são:
 
• Tristeza e/ou irritabilidade persistente, durante a maior parte do dia, durante muitos dias, inquietação, retraimento social.
• Desânimo, cansaço, indisposição.
• Perda de parte da capacidade de sentir prazer nas atividades habituais, tanto no trabalho como no lazer, incluindo o desejo e prazer sexual.
• Ansiedade, preocupação, insegurança, indecisão.
• Sentimentos de desesperança, pessimismo.
• Sentimentos de culpa, inutilidade, incapacidade, desamparo, solidão.
• Alteração no sono, tanto insônia como excesso de sono, ou acordar cansado.
• Alteração do apetite: excesso ou falta e consequente ganho ou perda de peso.
• Ideias de morte ou suicídio.
• Dificuldade de concentração, de lembrar o que ia falar ou fazer, esquecer onde deixou as coisas.
• Sintomas físicos persistentes, que têm pouca melhora nos tratamentos habituais, como dor de estômago, dores crônicas (cabeça, costas, articulações), alterações intestinais sem causa orgânica definida.
• Choro, insatisfação, afastamento das atividades sociais, perda de energia, preocupação excessiva com os problemas.
 
CONSEQÜÊNCIAS E RISCOS
As principais consequências da depressão são os prejuízos social, pessoal, psicológico e no trabalho, além do risco de doenças circulatórias e do coração. A depressão distorce a visão da realidade, podendo levar a pessoa depressiva a cometer atos que habitualmente não cometeria.
 
PREVENÇÃO
Pode-se prevenir a depressão mantendo-se a qualidade de vida, aprendendo a conviver com o estresse e os conflitos cotidianos, sabendo lidar com as adversidades, não sucumbindo diante dessas situações. É necessário evitar o isolamento, procurando relações de parceria e cumplicidade, para compartilhar os sentimentos.
 
TRATAMENTO
Como todo problema de saúde, o tratamento da depressão deve começar pela avaliação médica. Pela consulta médica e exames associados é possível verificar a existência de outras doenças orgânicas que podem se confundir com depressão ou piorar o quadro depressivo. Uma avaliação mental e psicológica deve ser feita pelo médico psiquiatra e por especialistas que atuam na área do comportamento e da Psicologia. O tratamento será direcionado pelo resultado da avaliação. A depressão não tem cura, nem por medicação ou terapia, e podem ser necessárias intervenções que vão desde o uso de medicação antidepressiva até psicoterapias individuais, de grupo ou familiares. A pessoa deve procurar tratamento médico ou terapêutico, ou ambos, para aprender a lidar com a doença.
 
O deprimido deve procurar auxílio para lidar com a doença
O fundador e coordenador do Grupo de Doenças Afetivas (Gruda) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Ricardo A. Moreno, destaca que a pessoa deprimida não deve se culpar por não conseguir sair de seu estado. A depressão toma conta da pessoa, que perde a capacidade de reagir à depressão.
 
"As pessoas não ficam deprimidas porque querem, porque há muito sofrimento nesse estado, trazendo perdas importantes em sua vida. A pessoa que sente depressão deve procurar auxílio médico e compartilhar com outras pessoas seus sentimentos", aconselha. "Por outro lado, quem convive com uma pessoa deprimida deve estimulá-la a procurar ajuda médica", frisa.
 
O psiquiatra lembra que todos temos que viver da melhor maneira possível cada momento, e sob essa ótica não há espaço para depressão. "É uma doença que tem um potencial tratável muito bom. Não recomendo a ninguém ficar deprimido. A vida da pessoa deprimida melhora muito quando ela procura ajuda", destaca. Segundo ele, o efeito do tratamento leva de duas a três semanas para aparecer.
 
Onde procurar ajuda pública:
• Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (Gruda) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas

 - Fone: (11) 3069.6648
• Santa Casa de Misericórdia - São Paulo

- Fone: (11) 5087.7000
• Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos - Abrata.

- Fone: (11) 256.4831

DEPRESSÃO EM TEMPOS DE CRISE

O período difícil que atravessamos, onde predomina o medo e a incerteza no mundo, leva a que haja cada vez mais pessoas a sofrer de depressão. É preciso saber que esta doença tem tratamento eficaz e que o mais importante é pedir ajuda a um médico.
 
Depressão não é tristeza. É uma doença que precisa de tratamento. Cerca de 18% das pessoas vão apresentar depressão em algum período da vida. Quando o quadro se instala, se não for tratado convenientemente, costuma levar vários meses para desaparecer. Depressão é também uma doença recorrente. Quem já teve um episódio na vida, apresenta cerca de 50% de possibilidades de manifestar outro; quem teve dois, 70% e, no caso de três quadros bem caracterizados, esse número pode chegar a 90%.
 
A “depressão” tem sido usada diversas vezes para caracterizar o estado de espírito da nossa sociedade, neste período de crise. E a verdade é que, a avaliar pelos dados obtidos pelas vendas dos antidepressivos, a depressão parece estar a aumentar no nosso país. Atualmente, são vendidos diariamente cerca de 20.500 embalagens de antidepressivos1, o que revela uma tendência já observada no ano anterior, em que a prescrição destes medicamentos aumentou cerca de 7,6 por cento.
 
São várias as possíveis explicações para este fenómeno: o desemprego, as dificuldades económicas, o aumento dos divórcios e a solidão, principalmente nos idosos, entre outras. Além disso, a insegurança que se vive atualmente na nossa sociedade conduz a um sentimento generalizado de medo. Ou seja, as pessoas andam receosas, inquietas e encontram-se dominadas pela convicção de que algo negativo vai ocorrer nas suas vidas. Evidentemente que este ambiente social de incerteza, de pessimismo e de provação financeira acaba por aumentar o risco, para quem já está fragilizado, de vir a sofrer de depressão.
 
 
Fontes: Dr. Pedro Afonso - psiquiatra e Dr. Ricardo Moreno é médico psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

O RISO E A PERSONALIDADE

Se você quer viver uma vida longa, valorize as coisas positivas e siga rindo, dizem os pesquisadores. Eles descobriram que os centenários são, frequentemente, pessoas extrovertidas que abraçam o mundo a partir de uma perspectiva otimista e despreocupada. A longevidade pode estar mais ligada ao estado de espírito do que se pensa.


O riso e a personalidade

 
Sorriso aberto: ( tipo há!há!há!) em geral próprio de pessoas extrovertidas, amigas e leais.

Sorriso verdadeiro: demorado simétrico, provocando rugas nas pálpebras, instala-se gradualmente e se vai lentamente, despertando sinceridade e confiança.

Sorriso largo: próprio de pessoas abertas e generosas.

Riso constante: (tipo Olá! Bom diaaa!) É próprio da pessoa que está sempre contente e otimista demostrando força de caráter.

Riso contagiante ou vibrante: próprio de pessoas emotivas e otimistas, desperta a vontade de rir também.

Risos negativos
                           
O riso negativo é ruim para quem o faz, já que a pessoa não sintetiza todas as endorfinas que poderia sintetizar.

Riso de boca fechada: próprio de pessoas que controlam o que dizem.

Riso de lado: é do tipo falso. A pessoa disfarça o sorriso para que o outro não o perceba.

Riso falso: em geral é rápido tipo "acende apaga" e não provoca rugas de expressão ao redor dos olhos; é assimétrico pois o rosto fica imóvel.

Rápido: próprio de pessoas egoístas, pessimistas ou introvertidas.

10 dicas para praticar a terapia do riso
 
1-)Ponha a vida em ordem. Organize bolsos, bolsas, armários, gavetas. Falta de tempo para sorrir e ser feliz é falta de método e organização. É preciso ter consciência disso para crescer e progredir.
2-)A felicidade vem de dentro, aspire ao direito de ser feliz. Entre em contato com o inconsciente despertando a energia vital através da fé coragem, criatividade, alegria e autoconhecimento.
3-)Tenha qualidade de vida : liberdade de agir e de fazer tudo com alegria, amor e bom humor. Relacione com a natureza. Coma com calma. Faça leituras saudáveis e positivas. Relaxe nos finais de semana e principalmente antes de dormir. Tenha uma alimentação balanceada com cereais, verduras, legumes, frutas, ovos e carnes brancas. Pratique esportes e faça terapias naturais. Tudo isso alegra o nosso corpo e a nossa mente.

4-)Tenha autoestima e amor próprio, quem não sorri não se ama. Ame-se estime-se e valorize-se.
5-)Com entusiasmo, viva o presente.
6-)Tenha sempre atitudes positivas perante tudo.
7-)Viva com a paz na consciência livre de culpas.
8-)Além do sorriso em frente ao espelho, reúna com amigos para contar histórias alegres e até piadas, inclusive no ambiente de trabalho.
9-)Ria até na adversidade. Encare a vida com bom humor até nas horas mais difíceis.
10-)Goze a vida, faça tudo que é bom para você.

domingo, 23 de junho de 2013

OS RISCOS DE TROCAR O DIA PELA NOITE

Seja por necessidade profissional, seja porque simplesmente gostam, muitas pessoas ficam ativas na madrugada. Especialistas explicam os danos causados por este hábito e como os notívagos devem se cuidar.
 


Já reparou que enquanto a maioria dorme à noite, uma parcela da população está em plena atividade? A vida noturna está em grande expansão nos últimos anos, com a ampliação de serviços 24 horas, como supermercados, pet shops, floriculturas, restaurantes, entre outros. Além dos trabalhadores noturnos, há quem prefira, por questões pessoais e genéticas, ficar acordado durante a madrugada, seja em casa ou na rua.
 
“Nós fomos biologicamente programados para dormir à noite”, explica a pneumologista Lia Rita Azeredo Bittencourt, presidente da Sociedade Brasileira de Sono. De acordo com Lia, a ausência de luz, a queda de temperatura do corpo e a secreção da melatonina (um neuro-hormônio responsável por regular o sono) são fatores que ocorrem nesse período e contribuem para o descanso. “Pesquisas demonstram que, durante o dia, as pessoas dormem menos e com menor qualidade, já que o sono costuma ser mais fragmentado”, enfatiza.
 
As consequências para o organismo humano são imediatas: fadiga, sonolência durante o dia, déficit de atenção, de memória e raciocínio, além de predisposição a problemas cardiovasculares e metabólicos.
 
“O notívago pode ter hipertensão arterial, arritmias e outras doenças cardíacas, devido ao aumento de substâncias estressoras (catecolaminas) no organismo e por não haver descanso fisiológico suficiente do sistema cardiovascular, ou seja, a redução da pressão arterial e da frequência cardíaca que ocorre à noite”, alerta a pneumologista.
 
Quem não dorme à noite ainda pode desenvolver predisposição à obesidade, pela dificuldade de ação da leptina (hormônio da saciedade), e ao diabetes, pela maior resistência à ação da insulina. As alterações metabólicas dos lipídios ainda podem aumentar o “mau” colesterol (LDL).
 
“Quem, mesmo não dormindo à noite, mantém a regularidade nos horários de sono, não sofre tanto quanto aquele que tem ritmo irregular”, avisa o neurologista Luciano Ribeiro Pinto Jr., pesquisador do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
 
De acordo com o especialista, a regularidade é importante para a manutenção do ritmo circadiano (de 24 horas) do organismo. Esse ciclo é determinado pelos centros (células) do chamado relógio biológico, localizados no cérebro. São essas células que, de forma harmônica e de acordo com o horário, anunciam como o organismo humano deve se comportar — quais hormônios devem ser produzidos, quando as células de determinados tecidos devem se dividir, qual a concentração de enzimas que deve haver em certo momento...
 
Os ritmos internos do nosso organismo são sincronizados por marcadores externos, como a variação da luz, os momentos em que a pessoa está em atividade (trabalhando, comendo, etc) e a hora em que ela vai dormir.
 
A temperatura corporal, por exemplo, é determinada pelo ritmo circadiano — aumenta durante o dia e atinge o seu máximo no fim da tarde, iniciando uma queda lenta e gradual após às 18, 19 horas e alcançando o seu mínimo no meio da madrugada. A variação de temperatura oscila entre 1 e 1,5 graus entre a mínima e a máxima. Também há uma pequena queda da temperatura entre 11 e 14 horas, que também corresponde ao horário do almoço.
 
É justamente porque a temperatura corporal está mais baixa que o ser humano sente sono durante a madrugada. Quando a pessoa passa várias noites acordada e dorme durante o dia, a curva da temperatura se altera, não subindo muito durante o dia, nem descendo muito à noite.
 
Como a temperatura não diminui na intensidade ideal durante o dia, a pessoa tem dificuldade em cair no sono e mantê-lo. A presença de luz nesse horário atrapalha ainda mais o descanso — pois é no escuro que o corpo produz o hormônio melatonina, regulador do sono.
 
Dormir cada dia em um horário diferente deixa o relógio biológico mais confuso. É por isso que o ser humano deve se habituar a dormir sempre nos mesmos horários, ainda que durante o dia. “Se o sono não ocorre na hora ideal, pelo menos que seja regular”, conclui Ribeiro Pinto (Unifesp).
 
UM QUARTO DAS PESSOAS QUE TRABALHAM À NOITE DESENVOLVEM DISTÚRBIOS DE SONO. AS VÍTIMAS SÃO AQUELAS QUE, POR FATORES GENÉTICOS, IDADE, PROBLEMAS DE SAÚDE, USO DE DROGAS E MEDICAÇÕES, NÃO SE ADAPTAM AO PERÍODO NOTURNO.
 
 
Fontes: Dra. Lia Rita Azeredo Bittencourt, pneumologista e presidente da Sociedade Brasileira de Sono e Dr. Luciano Ribeiro Pinto Jr., neurologista e pesquisador do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).