terça-feira, 14 de abril de 2015

O Sol da estrada faz mal?

Eu sei, você já tem muito com o que se preocupar no trânsito: motorista da frente lendo SMS, motos passando do seu lado, GPS falando sem parar. Maaaas, vou colocar mais um item para você prestar atenção enquanto dirige: o sol. Sim, porque você vive pegando sol dentro do carro através das janelas e do teto solar.

Istock

Que tipo de raios invadem o seu carro?
O sol nos atinge com dois tipos de raios ultravioleta: UVA e UVB. Cada um deles tem suas características próprias, mas ambos têm em comum o fato de provocar envelhecimento e danos à pele a longo prazo.
Será que o Sol que entra é bom para a produção de Vitamina D?
Normalmente o vidro da frente, chamado vidro laminado, bloqueia tanto UVA como UVB. Mas os vidros das janelas laterais e traseiras, chamados vidros temperados, deixam passar UVA e bloqueiam UVB. E aqui vale uma observação: se você acha que o solzinho que entra pelo vidro do carro está ajudando na produção de vitamina D (que é importante para o corpo), enganou-se. Porque são os raios UVB os responsáveis por essa síntese, bem aqueles que ficaram bloqueados por todos os vidros.
Como se proteger?
Para quem não dirige muito, o sol no carro não afeta tanto a pele. Mas vários estudos indicam que o dano causado pelos raios UV à pele é mais extenso no lado do corpo mais perto da janela do carro, principalmente em motoristas de caminhão ou em quem costuma fazer trajetos longos.
O que fazer então? Existem várias maneiras de se proteger dos raios UV no carro.
Uma delas é aplicar filtro solar com FPS de 30 ou mais no rosto, pescoço, braços e mãos. Roupas protetoras, como camisas de manga comprida, calças compridas, óculos de sol anti-UV também fazem parte importante dessa proteção solar. Até luva para dirigir existe e eu acho ótima ideia usá-la (mas sei que essa última opção é a mais difícil de convencer).
Outra opção é instalar nos vidros laterais e traseiro películas com protetor anti-UV. Algumas películas de boa qualidade bloqueiam quase 100% dos raios UV, são totalmente transparentes e podem ser escuras (dentro das normas de segurança) ou incolores.
Agora que você já sabe como se proteger do sol na estrada, boa viagem. Pena só que não tenho dicas de como evitar o trânsito.

Fonte: Dra. Lucia Mandel - dermatologista

sexta-feira, 27 de março de 2015

Lombalgia

Você vai levantar da cadeira e sente uma fisgada nas costas. Senta novamente. Ajeita-se. Toma coragem. Levanta. Sério mesmo que anda fazendo isso e “nem percebe”?
A Lombalgia é o segundo tipo de dor mais comum na população. Quem nunca sentiu uma fisgada ou ficou uns dias com dor depois de levantar peso excessivo ou sentar muito tempo de mau jeito?


O tratamento da dor lombar aguda, quando o problema começou recentemente, pode ser feito com um analgésico e um relaxante muscular receitados pelo médico. A questão é que algumas pessoas não procuram tratamento rapidamente e arrastam o quadro a ponto de a dor se tornar crônica.
Nestes casos, o ideal é procurar o quanto antes um neurologista para identificar a causa, se muscular, óssea ou por disfunção em algum nervo, e iniciar o tratamento rapidamente. “Nem sempre uma cirurgia é necessária, hoje já existem tratamentos como a neuroestimulação medular, que ajudam a reduzir a percepção de dor, quando a causa já foi tratada”, explica o especialista.
No procedimento, eletrodos são implantados na área dolorida e conectados a um gerador portátil, que é programado para produzir um estímulo elétrico que neutraliza a sensação de dor. “O procedimento é seguro e reversível. Se bem indicado, é uma boa opção terapêutica para dores resistentes a outros tratamentos”, finaliza o Dr. Corrêa.
Saber que há “remédio” para dor crônica não é motivo para ir postergando o problema. Se você se identificou com a descrição do início deste texto, pode ser que esteja na hora de falar com o seu médico.

Fonte - Dr. Cláudio Fernandes Corrêa, do Hospital 9 de Julho

Raios ultravioletas não estão apenas no sol

Muito se engana quem pensa que a radiação ultravioleta (UV) é encontrada apenas no sol. Mas um subtipo deste raio também é emitido, por exemplo, por máquinas de bronzeamento artificial.

Antes de mais nada, você conhece os tipos de raios ultravioleta? São três:
  • O UVA, que consegue passar barreiras da atmosfera como a camada de ozônio e possui capacidade para entrar profundamente na pele. Quando não se usa protetor solar, este raio é responsável pelas manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele quando há exposição prolongada por anos.
  • Já os raios UVB atingem as camadas superficiais da pele porque são mais absorvidos pela camada de ozônio. São eles os responsáveis pelas queimaduras e vermelhidão, além de também estimularem o desenvolvimento de câncer de pele.
  • Os raios UVC são os mais bem filtrados pela camada de ozônio e, por isso, a maioria dos protetores solares refere bloqueio apenas à UVA e UVB.
Nas câmaras de bronzeamento artificial são emitidos raios ultravioleta. “Há quem pense que este tipo de bronzeamento evita os danos da exposição ao sol, mas isso não é verdade, já que há exposição ao mesmo raio que lesiona a pele quando exposta ao sol”, salienta a Dra. Patrícia Fagundes, que contraindica a técnica.
A melhor forma de proteção contra o envelhecimento precoce, queimaduras ou mesmo o câncer é o uso de protetor solar nos horários de maior intensidade de radiação, das 10h às 16h.
Um dos indicadores de problemas relacionados ao sol é a mudança ou aparecimento de pintas. Veja o post da semana passada e saiba mais.

Fonte - Hospital 9 de Julho

Calculose renal: dor intensa é o principal sintoma

Ao longo da vida, todos nós temos um risco de 10 a 15% de desenvolver pedras nos rins. A calculose renal, como também é chamada, é mais comum entre os 20 e 50 anos, mais frequente entre homens, mas o problema também pode acometer crianças e idosos.

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Quando os rins filtram o sangue, alguns cristais podem se formar e se juntar, devido a substâncias presentes em excesso na urina, formando os cálculos.  Há outros fatores que podem contribuir para as famosas pedras nos rins, o principal é a pouca ingestão de água, com a consequente pouca produção de urina.
A má alimentação também contribui. Muito sal ou uma dieta rica em proteínas podem favorecer a formação de cálculos. Mudanças nos hábitos alimentares podem ajudar a eliminar e prevenir pedras.
Mais do que beber dois litros por dia, é importante urinar bastante para eliminar as impurezas. Em dias quentes ou durante a prática esportiva, a água é mais eliminada pela transpiração, portanto, a atenção deve ser redobrada. Para saber se você está bem hidratado veja a coloração da urina, que deve ser amarela bem clara.
O principal sintoma da calculose renal é a cólica renal, uma dor muito intensa, que vai das costas, na região lombar, em direção à bexiga. Podem ocorrer também náuseas, vômitos, infecção urinária e sangramento em alguns casos.
Os tratamentos para os cálculos são vários e dependem principalmente do tamanho e da localização de cada pedra. Cálculos pequenos podem ser eliminados na urina espontaneamente, enquanto as opções para cálculos maiores são a litotripsia extracorpórea, que consiste em quebrar as pedras com ondas de choque, a ureteroscopia (cirurgia endoscópica pelo canal que liga o rim à bexiga) ou a cirurgia percutânea, para os cálculos muito grandes, em que o médico usa um aparelho diretamente no rim, através de um pequeno corte nas costas, quebra as pedras e retira os fragmentos.
Vale ressaltar que quem já sofreu com calculose renal deve continuar monitorando o quadro, pois a chance de reincidência é de até 50% se nenhum tratamento de prevenção for feito.
Água é muito gostosa e faz bem à saúde. Aproveite-a!

Fonte - Dr. Fabio Vicentini é urologista do Centro de Cálculo Renal do Hospital 9 de Julho

Dor nos dedos? Você deve estar teclando demais…

A tecnologia facilita nossas vidas em muitos aspectos. É comum passarmos o dia conectados, utilizando o celular para enviar mensagens e e-mails, navegar na internet ou realizar tarefas do cotidiano que antes exigiam o uso do computador. Mas passar o dia inteiro teclando em aparelhinhos como os smartphones e tablets pode causar lesões nos tendões (estruturas que ligam o osso ao músculo) das mãos pelo movimento repetitivo que se faz com os dedos, principalmente o polegar.

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Como este é um dedo bem versátil, acaba sendo utilizado não apenas para digitar, mas também para segurar o aparelho. Isso faz com que o esforço nos movimentos de extensão seja maior do que o normal, o que pode provocar microlesões do tendão e inflamá-lo, causando dor e sensibilidade na região.
Para amenizar o problema e prevenir a tendinite, é bom evitar longos períodos de digitação em telas muito pequenas, relaxar e descansar as mãos se uma hora ou outra isso for inevitável, além de fazer alongamentos nos dedos e punho periodicamente. Ao segurar o telefone, é preferível não utilizar a mesma mão para digitar. Outras boas dicas são fazer um revezamento dos dedos de digitação e apoiar o aparelho em uma mesa, reduzindo a sobrecarga do tendão.
Caso os sintomas da tendinite já estejam presentes, o ideal é procurar um médico. Repouso e imobilização dos tendões afetados costumam ser indicados e ajudam na recuperação. Em alguns casos, é necessário o uso de anti-inflamatórios para reduzir a dor e a inflamação, e fisioterapia, para agilizar a cura e evitar lesões futuras, fortalecendo os tecidos.
O uso consciente da tecnologia faz dela nossa aliada e não traz prejuízos à saúde. Fica a dica.

Fonte - Dr. Nilton Salles é reumatologista do Hospital 9 de Julho.

A maioria das queimaduras poderia ser evitada?

A palavra acidente nos remete ao que não foi intencional, mas, em certo ponto, também ao que pode ser evitado. É o que acontece com as queimaduras.

Apenas no Brasil, um milhão de pessoas por ano sofre com o problema, segundo dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras. É desta entidade também a estimativa de que 80% dos casos poderiam ser evitados.

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É em casa que estão algumas das principais causas deste tipo de acidente. Sempre falo que devemos ter cuidado redobrado com a preparação de alimentos quando há crianças em casa para se evitar o escaldo. O mesmo conselho deve ser seguido para caixas de fósforos ou isqueiros, que devem ficar completamente fora do alcance dos pequenos.
Além disso, para que aquele churrasco acabe bem, só deve ser utilizado álcool em gel no acendimento da churrasqueira. O álcool líquido é um dos grandes vilões dos acidentes, porque, ao acender o fogo, a chama pode “seguir” o caminho inverso e atingir o corpo de quem utilizou o produto. O problema é mais comum do que parece, por isso, vale o alerta.
Em caso de uma emergência, não podemos cobrir o ferimento, nem colocar produtos como borra de café ou pasta de dente, uma crença ainda relativamente comum. A pessoa deve ser encaminhada imediatamente para um atendimento de emergência. O socorro rápido e especializado é fundamental para minimizar futuras sequelas e evitar o risco de infecções, já que o corpo fica muito fragilizado pelos ferimentos.
A informação é uma ferramenta muito importante. Compartilhe e ajude a mais pessoas a evitarem o problema.

Fonte - Dr Luiz Philipe Molina é cirurgião plástico especializado em queimaduras do Hospital 9 de Julho.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Capsulite Adesiva - Ombro congelado

A Capsulite Adesiva é uma doença que gera dor e restrição da mobilidade do ombro. Suas causas são desconhecidas e o diagnóstico é clínico. O tratamento é fundado na fisioterapia de longo prazo.

A Capsulite Adesiva também é chamada de Ombro Congelado. É uma condição dolorosa associada a uma perda severa de movimento no ombro. Pode estar associada a uma lesão ou pode ocorrer gradualmente sem causa aparente.


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A capsula articular da articulação do ombro (glenoumeral) funciona como uma bolsa que contém o líquido articular, responsável pela nutrição da cartilagem e pela lubrificação desta articulação. A cápsula articular tem uma quantidade considerável de folga, apresentando um tecido mais frouxo que permite o ombro realizar todos os movimentos e ajuda a estabilizar esta articulação.

No ombro congelado existe uma inflamação da cápsula articular que se "enruga, diminui de tamanho e fica mais rígida. Isto limita seriamente a capacidade do ombro se movimentar, e faz com que o ombro "congele" causando muita dor.

Causas
Por que meu ombro congela ?

A causa do ombro congelado é um grande mistério. Uma teoria é a de que ela pode ser causada por uma reação auto-imune. Em uma reação auto-imune o sistema de defesa do organismo, que normalmente protege das infecções, por engano começa a atacar os tecidos normais do próprio corpo. Isso provoca uma intensa reação inflamatória no tecido que está sob ataque.

Ninguém sabe por que isso ocorre tão de repente. Ombro congelado pode começar depois de uma lesão no ombro, fratura ou cirurgia. Ele também pode iniciar após período de imobilização, mesmo em ombros normais. Isso pode acontecer após uma fratura no punho, quando o braço é mantido em tipóia por várias semanas. Por alguma razão, imobilização de uma articulação após uma lesão parece desencadear a resposta auto-imune em algumas pessoas.

Ombro congelado também tem sido associado pós-cirurgias não relacionadas com o ombro, e até mesmo após um ataque cardíaco. Outros problemas do ombro como bursite, lesões do manguito rotator ou síndrome do impacto podem acabar causando um ombro congelado. 

Sintomas
Quais são os sintomas do ombro congelado?

Os sintomas do ombro congelado são principalmente dor no ombro e uma redução muito grande dos movimentos na articulação. O ombro também pode ser muito doloroso à noite.  A rigidez no ombro pode tornar difícila execução de atividades regulares como se vestir, pentear o cabelo, atingir o bolso de trás da calça ou abotoar o soutien.

Diagnóstico
Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de ombro congelado é geralmente feito com base na sua história clínica e exame físico. Uma diferenciação com a lesão do manguito rotador deve ser feita pelo seu médico.O diagnóstico é clínico!!! Não há necessidade de nenhum método de imagem para realizar o diagnóstico. Entretando, algumas vezes lançamos mão de métodos complementares como Rx, Ultrassonografia e Ressonância magnética para afastar outras causas de dor no ombro e identificar se há lesões associadas.

Tratamento
O tratamento da Capsulite Adesiva (Ombro Congelado) é principalmente conservador, sem necessidade de cirurgia. 

Tratamento do ombro congelado pode ser frustrante e lento. A maioria dos pacientes melhora muito, mas o processo pode levar meses. O objetivo do tratamento inicial é diminuir a inflamação e aumentar a amplitude de movimento do ombro. O seu médico provavelmente irá recomendar inicialmente medicamentos antiinflamatórios para aliviar os sintomas.

Fisioterapia é a chave do tratamento para recuperar o movimento e a função de seu ombro. Os tratamentos são direcionados no sentido de conseguir relaxar os músculos e diminuir a inflamação. Os terapeutas usam o calor e exercícios para alongar a cápsula articular e tecidos musculares do ombro. Você também receberá como parte de um programa de reabilitação exercícios e alongamentos para fazer em casa. Você pode precisar de tratamento por três a quatro meses antes da melhora do movimento e da função do ombro.

Em alguns casos podemos lançar mão de bloqueios anestésicos do nervo supra-escapular, que podem ser realizados de forma seriada (semanalmente) para ajudar a reduzir a dor e permitir uma fisioterapia adequada.

Cirurgia
Manipulação sob anestesia
Se o progresso na reabilitação é lento, o médico pode recomendar a manipulação sob anestesia. Você será levado ao centro cirúrgico e sob anestesia geral, será realizada uma manipulação para soltar estes tecidos encurtados. Este é um procedimento que não envolve cortes mas como todos procedimento não é isento de riscos e deve ser sempre indicado após um tratamento adequado e ser realizado por um cirurgião experiente.

Liberação Artroscópica
Quando se torna claro que a fisioterapia e a manipulação sob anestesia não melhoram o movimento do ombro, liberação artroscópica pode ser necessária. O cirurgião utiliza um artroscópio para ver o interior do ombro. Durante o procedimento, o cirurgião corta o tecido cicatricial e algumas partes da cápsula articular para ajudar a "soltar" este ombro.

Reabilitação

Reabilitação não-cirúrgica
O principal objetivo da fisioterapia é obter movimento completo no ombro. Se a sua dor é muito forte no início, o terapeuta pode iniciar com terapias para ajudar o controle da dor. Tratamentos para aliviar a dor incluem gelo, calor, ultra-som e estimulação elétrica. 
Quando o seu ombro estiver pronto, a terapia irá focalizar na recuperação do movimento do seu ombro.

Após a cirurgia
O objetivo do tratamento fisioterápico após a liberação cirúrgica do ombro é o mesmo acima, manter o alongamento e diminuir a inflamação.


Fonte: eorthopod